Walk the walk:
Comunicação Não-verbal 101

"Não é o que dizes, é como dizes!" Já todos ouvimos esta máxima antes. A pensar na tua próxima entrevista de emprego, tens aqui a Comunicação Não-verbal 101.

Não é só o CV que conta. Podes ser o melhor front-end developer, back-end developer, até podes ser o melhor ~effing-awesome-developer~ (if that was a thing), mas se tiveres uma atitude de treta ou se não conseguires controlar as tuas emoções, nada disso vai importar na tua próxima entrevista. Por isso, hoje vamos mais longe. A KWAN acompanha-te.

Uma entrevista de emprego é como um date. Não sabes como vai acabar, mas se estás lá é porque tens esperança que resulte bem, ou então estarias em casa no 9Gag, admite. Claro que queres dar o teu melhor, mas tens de ser tu mesmo, por isso mais vale estabelecer à partida uma imagem real de quem tu és. Lembra-te, este é o início de uma nova relação, e tudo se trata de comunicação. As perguntas já sabes responder, mas neste artigo vamos antes tratar de como responder. “Não é o que dizes, é como dizes!” Já todos ouvimos esta antes. É isso: Comunicação Não-verbal 101, inspirado no livro People Watching, the Desmond Morris guide to body language (2002).

First things first

Comunicação Não-Verbal

Um aperto de mão e um sorriso franco. Cumprimentar é o primeiro passo. Para dar um bom aperto de mão, assegura-te de que a tua mão não está frouxa como um peixe da praça, nem rija como um douradinho acabado de sair do congelador. Um bom bacalhau vem do movimento do cotovelo, não do pulso. Vais ser o Federer dos apertos de mão. Não te esqueças dos bons modos, cumprimenta toda a gente à la Da Weasel. Todos merecem “um bom dia com um sorriso bem rasgado”, desde o CEO à senhora da limpeza. Um sorriso genuíno aquece logo a sala e abre muitas portas. Outra regra de etiqueta mais século XXI é deixares o telemóvel de parte, preferencialmente virado para baixo, a não ser que o uses para tirar notas.

Walk the walk

Comunicação Não-Verbal

You know how to talk the talk, now you have to walk the walk. Comporta-te como queres que te vejam. Pensa em modo caricatura. Como é a postura de alguém ansioso? Aborrecido? Inseguro? Possivelmente algo parecido com o asqueroso Peter Pettigrew de Harry Potter – não queremos isso. E pelo contrário, quais são os maneirismos de uma pessoa calma? E confiante? Sociável? Exacto, é o legendary Barney Stinson de How I Met Your Mother. Incorpora a sua postura: ombros relaxados, costas direitas, cabeça levantada, roupa ajeitada e um sorriso no rosto.

Gestos e movimentos

Comunicação Não-Verbal

Os gestos podem ser o acompanhamento ideal para marcar a cadência das tuas histórias e explicações. Tenta que estes não sejam demasiado expansivos, mas que ajudem a envolver a tua audiência. Um seguimento de vários passos num mesmo raciocínio ou história merecem alguma gestualidade, por exemplo. Mas não precisas de usar Jazz Hands em cada intervenção. Senta-te direito na cadeira, mas não excessivamente rígido. Atenção a se tens tendência para tiques nervosos como roer as unhas, tamborilar os dedos, pontapear no ar, bater o pé ou carregar ininterruptamente no botão das canetas. Todos estes hábitos podem ser fontes de distracção para um entrevistador. A atenção deve estar focada em ti e principalmente naquilo que tens para dizer. A gestualidade é a tua ferramenta cativante.

Expressões faciais e contacto visual

Comunicação Não-Verbal

O contacto visual assegura o entrevistador de que estás presente naquele momento, é um catalisador de empatia. É essencial olhar “olhos nos olhos” nos momentos de recepção e despedida, bem como em momentos-chave ao longo da entrevista. Mas há que dosear. Demasiado contacto visual e corres o risco de parecer um psicopata fixado na sua próxima vítima. Já pouco contacto visual pode significar falta de interesse, pouca transparência e frontalidade, falta de auto-estima e vergonha. Mantém-te atento e vai repousando o olhar em vários pontos, intercalados com o olhar do entrevistador. Quanto à tua expressão facial, tenta manter o rosto relaxado, sem morder os lábios ou a língua, ranger os dentes, nem mexer muito na cara ou no cabelo. Afinal, esta é uma conversa que deve ser tão natural como qualquer outra.

Tom de voz e dicção

Comunicação Não-Verbal

Esta talvez requeira um pouco mais de prática, mas é algo que podes aplicar ao longo de toda a vida. A tua voz é o teu principal canal de transmissão de informação durante a entrevista, mas não precisas de estar sempre a falar, nem precisas de interromper. Quanto ao volume, não fales muito alto, pode ser desconcertante. Para que te sintas confortável, uma boa regra é adequar o teu tom de voz ao do teu interlocutor. Se falares muito baixo, o primeiro problema é a possibilidade de não conseguires transmitir a mensagem correta; o segundo é novamente deixar transparecer alguma timidez tal como quando não usas contacto visual suficiente. Para evitar problemas de dicção, fala pausadamente, dá-te mais tempo para articular as ideias e vai-se perceber melhor aquilo que dizes. Claro que se o tema é entusiasmante, é natural haver alguma agitação na voz, não fujas dessa naturalidade. O uso de demasiados estrangeirismos também é algo a ter em consideração. Se tens tendência a aclarar a garganta quando estás nervoso, nada como levar uma garrafa de água contigo em vez de tossir convulsamente. É mais discreto e mantém-te hidratado. Win-win.

Dress for the job you want, not the job you have

Comunicação Não-Verbal

Let’s face it, moda não é o teu forte ou estarias numa entrevista para a Vogue. Por isso, no que toca ao dress code, procura saber qual a cultura da empresa e sê tu próprio. Okay, se calhar não-tão-tu-próprio como levar a tua t-shirt preferida do Dragon Ball ou a tua camisa havaiana da sorte, mas também não precisas de ir de fato e gravata. O estilo smart-casual pode ser um bom ponto de partida. Calças simples, uma camisa que não esteja completamente amarrotada ou um polo e sapatos limpos. Parece incrível ter de referir, mas a higiene é um aspecto a não descurar. Quer dizer, se não tens o brio de tomar um duche, lavar os dentes, pôr desodorizante e dar um jeito ao cabelo no dia em que tens uma entrevista… Dude, when is that going to happen? Evoca o teu inner Steve Jobs e se for preciso arranja o teu próprio uniforme.


Bonus tip:
Se a ansiedade estiver a tomar conta de ti, nos momentos antes de entrar para a entrevista podes discretamente fazer alguma respiração abdominal para controlar o stress.

Se quiseres ainda mais controlo sobre a situação, pega num espelho ou no teu smartphone e filma-te tendo em conta estas dicas. If at first you don’t succeed, try and try again. Vai ser cringe worthy mas vais aprender muito ao descobrir pequenos pormenores sobre a tua comunicação não-verbal de que nem tinhas conhecimento e que podem fazer toda a diferença. Acredita, a prática faz a perfeição.

Acima de tudo, sê tu mesmo. Mantém uma atitude positiva e uma mentalidade aberta. No fim do dia, para o match com o teu próximo trabalho ser perfeito é preciso que gostem de ti por quem tu és. E como não há ninguém como tu, assunto arrumado. Break a leg!

Agora já podes ler o nosso guia para entrevistas de emprego (gluten, lactose & B$ free).

ricardo
Published 26-04-2018
Saskia Loja

Digital Copywriter @ KWAN. O seu nome é um presságio de arte. Depois de três anos como jornalista decidiu que estava na altura de assumir o love affair com o seu cérebro e explorar o Marketing. Tem mind pops recorrentes. O seu alter-ego Matilde apodera-se dela quando tem sono. People’s person, die-hard bruncher, precisa sempre de viajar mais. Crazy dog lady versão Hércules. Instafamous. jk


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