As melhores empresas para se trabalhar em Portugal

"Nem tudo o que reluz é ouro."

Um dos meus livros favoritos é o clássico do Stephen Covey, os “7 hábitos das pessoas altamente eficazes”. Adoro o livro, já o reli várias vezes e por vezes regresso ao livro para reler alguma das ideias que sinto precisar no momento.

Na pesquisa que fez para o livro o autor estudou centenas de livros de auto-desenvolvimento e reparou num padrão em todos eles. O padrão é que livros que foram escritos até, sensivelmente, ao início do século XX eram focados em questões de Carácter e a partir daí os livros passaram a ser focados naquilo que autor define como Persona.

Qual é, para Covey, a diferença entre Carácter e Persona?

A ética de Carácter foca-se naquilo que se é, portanto foca-se em temas como Integridade, Honestidade, Lealdade e valores que definem o carácter de alguém. A ética da Persona foca-se mais em técnicas, habilidades que se pode aprender tais como vender melhor, comunicar melhor, como se fazer mais amigos, como se obter o que se quer, como ter uma imagem forte e sólida.

O autor faz uma distinção muito importante entre aquilo que ele chama de Carácter e Persona. O foco no Carácter permite-nos crescer naquilo que se é, na Persona naquilo que parecemos ser.

Ambos são de extrema importância, e não quero com isto dizer que aprender-se técnicas ou tácticas para melhorarmos a nossa comunicação, a nossa imagem, não seja importantes. Mas uma Persona sem Carácter vai ser curta no longo prazo.

Ser e parecer são coisas bem diferentes, não são?

Aquele vendedor que aplica todas as técnicas correctamente, mas que no final do dia nos deixa com um sentimento no estômago de desconfiança nunca nos deixa tranquilos. É como se por detrás daquela máscara existisse ali algo mais que não cola correctamente.

É isso que o autor refere, a incongruência entre o Carácter e a Persona tem perna curta. Nos dias de hoje, mais do que nunca, é importante focarmo-nos naquilo que somos e não somente no que parecemos ser.

O que me leva aos concursos das melhores empresas para se trabalhar.

Vendem-se revistas, fazem-se acções de marketing, coloca-se a nossa classificação na assinatura do e-mail e mostra-se com orgulho estarmos na lista das melhores empresas para se trabalhar em Portugal. É um investimento de marketing e de employer branding que se faz para se atrair o melhor talento em Portugal. Bem pago às empresas que fazem o dito ranking.

Excepto que, na minha opinião, é fake. Porquê?

Ter-se uma mesa de ping pong, um sofá com playstation é fantástico para se parecer uma empresa cool. Mas francamente isso sai curto quando depois no dia a dia a pressão é gigantesca, as chefias só sabem comunicar aos berros e ninguém se preocupa com a opinião de quem está no terreno.

Claro que os perks e o ambiente do escritório são importantes. Não digo que não sejam, mas desenganem-se os que pensam que é por isso que os seus colaboradores não saem da sua organização ou que são mais fieis à mesma.

Os perks do escritório, o “ranking das melhores empresas”, as empresas que compram as capas de revista mais chique para pôr a cara do CEO, são pensos rápidos para algo que muitas vezes está podre por dentro. Basta falar com ex-colaboradores dessas empresas.

Não tenho ilusões que há ex-colaboradores da RUPEAL (empresa que detém a KWAN) que falarão mal da empresa que lidero. Não somos perfeitos (e eu certamente não tenho um feitio fácil 😃 ). Mas também sei que uma vasta maioria recomenda-nos quando sai de cá. É um dos motivos dos quais mais tenho orgulho. Alias, a referência positiva por ex-colaboradores e clientes é a nossa maior fonte de negócio novo.

Desde há 9 anos, quando fundei a empresa, que sempre procurei incutir e focar em valores internos da empresa. Focar-me em princípios que guiam a empresa e ser fiel aos mesmos. No longo prazo eu sei que isso se vai pagar, até porque quem se foca no que parece ser raramente fica cá muito tempo para contar a história.

Mais de trinta anos depois, Stephen Covey continua a acertar na mouche. Precisamos de nos focar mais naquilo que somos do que naquilo que parecemos ser. Nunca a ética do Carácter foi tão necessária como nos dias de hoje.

PS: Não quero com isto dizer que não haja excelentes empresas das quais tenho o maior respeito e apreço neste ranking.
ricardo
Published 02-03-2016
Rui Alves

Co-Fundador da KWAN, fundador e actual CEO da RUPEAL, InvoiceXpress e ClanHR. Nos últimos 9 anos o Rui tem a responsabilidade de criar de forma eficaz uma cultura de excelência, crescimento e motivação nos projectos que gere.


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