Menu

Remote Leadership

Adaptar a liderança a uma situação de trabalho remoto é desafiante.

Como reduzir o ruído nas equipas em teletrabalho? Como manter a motivação? Que ferramentas e metodologias devemos aplicar para uma liderança eficaz de equipas em teletrabalho?

Reflexões sobre o que fazer agora para motivar uma equipa à distância:

Liderança é um assunto bastante abstrato e alargado e acerca do qual se tem pensado e escrito muitas coisas. A meu ver não há um certo e um errado e certamente o que funciona para determinadas culturas e pessoas não funciona para outras. O contexto actual vem adicionar uma camada de complexidade ao tema da liderança, uma vez que uma nova variável altamente impactante nas relações e dinâmicas de grupos entrou na equação: Trabalhar remotamente.

Isto é importante sobretudo porque provavelmente a grande maioria das pessoas que está neste momento “forçada” a trabalhar a partir de casa nunca o fez, ou pelo menos nunca o fez a 100%, em que simplesmente se passam semanas sem que quaisquer elementos das equipas se encontrem presencialmente.

Sabendo que a liderança é um processo partilhado, e não (ao contrário do que muitos defendem) uma característica exclusiva daquele que formalmente lidera (ainda que dê jeito que esse elemento tenha determinadas skills), a meu ver uma das mais importantes características para que uma equipa que trabalha remotamente funcione é a confiança.

Se os elementos das equipas não confiarem uns nos outros, tudo o resto cai por terra, tornando-se difícil a articulação dos processos com vista o atingimento de metas que geram os resultados. É por isso de sobeja importância que o líder saiba desenvolver a confiança dentro da equipa como um todo e entre os elementos uns com os outros. Uma das formas de conseguir promover a confiança é a transparência, isto é, tornar o trabalho que se está a desenvolver visível.

É vital que os processos da equipa estejam bem identificados e que cada um saiba exatamente quais funções que precisa de fazer e que contribuem para o todo, ou seja, quais são os Critical Drivers.

Para que tal seja possível é vital que os processos da equipa estejam bem identificados e que cada um saiba exatamente quais as funções que precisa de fazer e que contribuem para o todo, ou seja, quais são os Critical Drivers. Quais são as single most important tasks de cada uma das funções, dos elementos da equipa, que são o mais dependentes possível de quem as executa, e o menos dependentes possível de outras variáveis. Num exemplo simples, uma venda não é um Critical Driver, mas ligar para um cliente com o objectivo de agendar uma reunião que se pode traduzir na adjudicação de um projecto, já é considerado um Critical Driver.

Então, se todos conhecerem quais os Critical Drivers da sua função, e das restantes funções da equipa, e se o cumprimento desses Critical Drivers for medido e disponibilizado a todos, está garantida a transparência relativamente à responsabilidade de cada um, sendo promovida a confiança.

Cabe ao líder implementar (ou garantir que é implementado) o conjunto de processos e sistemas que garantem que a equipa conhece a medição dos seus Critical Drivers e disponibilizar os Key Performance Indicators que são originados pelo cumprimento dos Critical Drivers.

Dicas: Ter um scoreboard dos Critical Drivers e consequentes KPIs actualizado e acessível a todos é chave. Ter um Scorecard (diferente de descritivo funcional) para cada uma das funções, onde é disponibilizado a missão, os objectivos e as skills da função também é chave.

Por outro lado o líder deve ser o promotor de uma comunicação aberta com as equipas, algo que se torna ainda mais relevante quando estamos em fully remote.

Cabe ao líder disponibilizar canais de comunicação formais e sugerir canais de comunicação informais, para que a informação continue a fluir com o menor ruído possível. Por exemplo, a nível informal, poderá ser útil, sobretudo para equipas menos habituadas a trabalhar numa lógica Remote, manter um chat room aberto, por video call, onde os elementos poderão entrar e sair, como se, por exemplo, de uma copa se tratasse. A ideia é ter um sítio onde as pessoas se podem ver e ouvir sem necessitar de agendamento, tal como acontece num escritório normal. Felizmente vivemos num tempo em que a tecnologia nos permite trabalhar à distância de forma relativamente simples, e não faltam ferramentas que facilitam a comunicação e os processos das empresas. No Grupo RUPEAL usamos transversalmente o Basecamp, o Slack e o ZOOM, mas a liderança continua a deixar espaço para que cada equipa utilize as ferramentas que mais se adaptam aos seus processos e forma de trabalhar.

Dar liberdade de escolha às equipas é ainda mais relevante no momento em que vivemos.

Também este ponto de dar liberdade de escolha às equipas se torna mais relevante no momento em que vivemos, no sentido de tornar ágeis os processos, permitindo que o trabalho flua da melhor maneira possível.

Por fim, considero que liderar é fundamentalmente ajudar a eliminar ruído para que as equipas possam tornar-se mais eficientes no desempenho das suas funções, e é por isso que ao longo desta reflexão procurei dar a conhecer algumas das formas de servir as equipas, eliminando ruído, ou se quiserem, atrito. No mesmo sentido sugiro ao leitor, líder, um exercício simples que poderá ajudar a trazer ao consciente estratégias para as necessidades específicas das suas equipas. Pergunta a ti próprio:

O que é que posso fazer agora, que vai reduzir ruído/atrito no desempenho das minhas equipas?

Leave a comment